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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

cento e setenta e sete


Então eu disse pra vida: chega. Muda logo, vai. Antes que eu mude de opinião, ou te sacoleje, aja impulsiva e transtornada, como quando você insiste em dar erro (...)
Não nasci pro banho maria, não. Quero mais é que queime, que borbulhe, incendeie. Trocar combustível, por combustão. Por mais que, quem esteja dentro da panela, seja eu. Que se faça chover, e molhe o corpo inteiro, como quem renasce, e dança feliz. Que eu tope por aí com quem não vejo há tempo, que encontre no meio da carteira, algum bilhete qualquer, quem sabe uma luz na lâmpada que acende em cima da cabeça: idéias, aceito. Viagens, ainda mais. Risadas, cumplicidades, músicas reunidas, pecados docéis. Comida boa, companhia maravilhosa, bagunça organizada. Mergulhar, e encontrar conchas inéditas, peixes fujões, repostas. Que os dias se preencham de luzes imediatas, e momentos peculiares. Dá lugar vida, saí dessa fossa, levanta do chão que subindo na árvore a gente pega aquela flor e coloca na orelha, finge que é Jane e quem sabe, encontra Tarzan. A cem por hora, ritmo acelerado; sem mesmice, estagnação. Reergue, reflora, reascende, revive. Vida vadia, ou vida vazia? Tanto faz, maldita.

(camila paier)

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