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quarta-feira, 21 de abril de 2010

trinta e nove


Me corrói ser mulher e ter que esperar tudo acontecer ao natural, aos poucos e devagar. Meu ritmo frenético grita e clama aqui dentro por carinho, atenção e intensidade. Queria ver mais o sorriso bonito que me dopa por um ou dois dias inteiros, sentir o perfume em tudo e em mim, o que me inebria e impergna na roupa, e sinto falta das palavras doces, do cavalheirismo e da cumplicidade, da sensação de que nos conhecemos tão pouco - e ao mesmo tempo tão bem, tão inteiro. Fazem dois meses, e eu já peno como uma louca que carrega a cruz da parte vulnerável disso tudo. Você aparentemente, indiferente, e eu buscando respostas em silêncios e atitudes de isolamento, de fuga premeditada que escorrem na minha tela. Não poder reclamar, me fragiliza; não poder esclarecer ou mudar as regras, me enfurece. E ir vivendo assim, quando dá e deu, vendo as minhas surpresas e idéias sendo coagidas e mutadas, não aceitas e inadequadas, me faz não compreender. Ser mulher nessas horas é terrível, é assustador. Não é loucura, mas apenas as muito frias ou sãs conseguem se manter equilibradas diante do incerto, do confuso e do que já foi melhor. Não reclamo do que disponho, todas essas oportunidades maravilhosas, mas essa calma é o que falta. Essa aceitação pagã de que na frente tudo se ajeita, de que o homem se alastra tal como elástico, se afasta para fortalecer vínculos e se mantém distante para sentir uma falta boa, saudável, entra na minha mente até certo ponto. Lendo e sublinhando, compreendo, assinto com a cabeça e prometo o auto-controle. Sabendo que, na prática, a primeira e viável opção é pirar, botar pra fora todas as perguntas mil que rodam há dias, e que isso apenas destruíria, estragaria o castelo de areia que até agora, grão sob grão, foi crescendo É um desabafo, e nada mais que isso. Não sei o dia de amanhã, tal como essas relações não me permitem. Apenas espero que tudo fique claro, que o tempo surja, e com ele, as oportunidades de vista, de olfato e paladar: sentidos até agora, adormecidos há um ou dois meses. Aos poucos. Mas, dormentes. Que a docilidade que nos falta em alguns momentos, seja recompensada!!



"e a gente vai se completando assim mesmo, pelas nossas linhas que se não fossem tão tortas, não tinham se cruzado."

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